Carina @ 19:25

Seg, 04/05/09

A história repetia-se todos os dias. O quarto, comprido e escuro, tresandava a humidade. Possuía  dois grandes caixotes de cartão a cobrir a parede em frente à porta . Não tinha janelas. Visto da porta, as paredes pareciam afunilar-se. Quando mais se andava, maior era a escuridão envolvente, mais reduzido o quarto ficava. E ao fundo, ao fundo permaneciam esses dois caixotes, provavelmente os únicos testemunhos do tsunami que destruía sonhos e esperanças, afundava amores e desamores, que derrubava mais um pózinho de estabilidade de cada vez que nascia . Para além disso, a dor, a repugnância, o sofrimento estava impresso em cada canto da divisão.

Quando chegava a noite, era para aí que ela era levada. Nesses momentos a sua alma desfalecia... Sem poder fugir, era empurrada de encontro aos caixotes, já amarrutados devido ao seu (de)uso diário. Num só gesto, despiam-lhe a pouca roupa que a cobria, agarravam-na e abusavam dela onde, quando, como e porque lhes apetecia. Ela não gritava nem oferecia qualquer resistência. Para quê? Sabia perfeitamente que o seu esforço sairia em vão. Ninguém a ouviria. Fechava os olhos de forma a amortecer a violência metamorfizada em cada facada, não ao coração mas à alma...

 

(continua...)


: "Hallelujah" ~> Bon Jovi
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Ami @ 20:14

Seg, 04/05/09

 

aguardaremos próximos "episódios" **

Lipa Pinhal @ 16:04

Sex, 08/05/09

 

Infelizmente, para muitas mulheres, não é só mais um texto bem escrito, mas sim uma dura realidade.

Beijinhos *